Eloiza de Oliveira Frederico
Há quem passe a vida inteira tentando traduzir o mundo em palavras. Como jornalista, eu fiz disso o meu ofício; como professora, foi o meu legado. Passei décadas ajudando a traçar linhas de entrevistados e alunos, e assim delineando meu próprio caminho. De repente, a matemática do espelho se fez urgente: descobri que o horizonte que tenho pela frente é menor do que a estrada que já ficou para trás. Mas, onde muitos veriam o peso do fim, eu enxerguei a leveza do agora. Eu que transitei por estúdios de rádio e televisão, agora às vésperas de completar 60 anos, caminho por studios de balé e de pilates. A menina que sonhava rodopiar com sapatilhas de balé, hoje baila em um estúdio de dança e até em palcos já ousou subir, tendo na plateia o apoio e o aplauso de quem eu amo. O corpo que agora baila apaixonadamente, também se exercita no pilates- às vezes agarrada no ódio, é verdade- numa rotina de autocuidado inexistente ao longo da minha linha do tempo.
Esse processo de (re)descoberta após 5 décadas de vida, me estimulou a traçar um novo rumo na minha vida: agora sou uma podcaster. Longe das amarras das notícias frias, aqui no 50+ Caminhos eu costuro histórias em áudio, partilho afetos, memórias e reflexões sobre o meu ( o nosso) envelhecimento. Descobri no movimento um jeito de celebrar a minha existência. Cada passo é uma forma de dizer ao tempo que eu não vou apenas passar por ele — eu vou dançar com ele.